Eros, Filéo e Ágape
“Hoje pela manhã ouvi uma frase no rádio que muito me fez refletir. Foi na Rádio União FM. Era mais ou menos assim: “Para amarmos alguém não é preciso encontrar a pessoa perfeita, mas reconhecermos perfeitamente as suas imperfeições”. A partir disso comecei a “viajar” e lembrei dos conceitos gregos de amor. No português existe apenas uma palavra para expressar diversas facetas de amor, sempre exigindo complemento, como por exemplo: Amor de mãe, amor de amigo, amor de namorados, amor de Deus. Talvez seja daí a origem de tantas confusões envolvendo a palavra amor levando à descrença de sua existência e sua perda de autoridade. No conceito grego existem três tipos de amor: Eros, Filéo e Ágape. O primeiro é o amor erótico, amor que envolve atração física, a “paixão” entre casais. O segundo diz respeito ao amor entre amigos, familiares, colegas. E o terceiro denota o amor de Deus pela criação. Esse último é o amor que perdoa, que não arde em ciúme, que é paciente e benigno. O Eros sozinho é o amor que mata (afinal quantos já disseram que mataram por amor?), é o amor que sozinho é paixão, nem sempre alegrias, pois lembremos que “Passio”, paixão que tem por significado sofrimento. O Eros é fundamental (no sentido de ser um bom fundamento), mas sozinho é egoísta e acaba morrendo muito rápido, é como se fosse “amor de novela” que dura apenas seis ou oito meses, isto é, tem tempo de validade, de duração pré-determinada. Eros sozinho não enxerga defeitos quando ama e quando acaba não vê qualidades. Poderíamos dizer que o Eros é um amor míope? Eros é alicerce para as uniões ou ainda “argamassa”, mas sozinho não se basta, acaba morrendo. Uniões entre casais podem iniciar com Eros, mas para as “paredes” subirem e chegarem ao “telhado” vão precisar do Filéo (amizade, companheirismo, parceria, sinceridade, alegria, diálogo) e vão precisar aprender do Ágape (o perdão, o voto de confiança gratuita–graça, paciência, ânimo, não-julgamento prévio). O amor formado pelos “três amores” reconhece perfeitamente as imperfeições e permanece. O Amor “três em um” é aquele que permanece ainda que, mesmo que e apesar de sermos imperfeitos. Ele se redimensiona, se reinventa diariamente para persistir. Mas claro esse é o amor entre humanos, entre casais, pois existem outros amores dos humanos que são destrutivos.”
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